Atualmente, o suicídio é a terceira maior causa de morte entre jovens com idades entre 15 e 29 anos no Brasil. Todos os dias, pelo menos 32 brasileiros tiram suas próprias vidas. Estima-se que, no mundo, ocorra um suicídio a cada 40 segundos.

Essa prática é comumente motivada pela depressão e, mesmo com tantos casos notórios crescentes a cada ano, ainda existe uma grande barreira para falar sobre o problema. É um mal silencioso que ainda é silenciado, ao passo em que as pessoas fogem do assunto por medo ou desconhecimento.

Há duas ou três décadas, o número crescente de vítimas acometidas por doenças como o câncer, a AIDS e demais doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), foi revertido através do esforço coletivo de pessoas e organizações que lutam para combater os tabus existentes, disseminando informações que esclarecem, conscientizam e estimulam a prevenção.

Assim, o Setembro Amarelo tem como inspiração essas mesmas lutas, alimentando a esperança de que 9 em cada 10 casos de suicídio podem ser prevenidos (segundo a OMS).

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O que é Setembro Amarelo?

O Setembro Amarelo é uma campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio, com o objetivo direto de alertar a população a respeito da realidade do suicídio no Brasil e no mundo e suas formas de prevenção.

No Brasil, a campanha foi iniciada pelo CVV (Centro de Valorização da Vida), CFM (Conselho Federal de Medicina) e ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria), tendo realizado as primeiras atividades em 2015 em Brasília, tendo se estendido às demais regiões do país no ano posterior. Porém, a campanha pela causa não se limita ao Brasil. O IASP – Associação Internacional para Prevenção do Suicídio trabalha em escala global para estimular a divulgação da causa no dia 10 de Setembro, quando se comemora o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio.

O movimento de conscientização acontece todo o mês de setembro, através de ações que são realizadas a fim de informar e sensibilizar a população e os profissionais da área para os sintomas desse problema e da importância dos cuidados com a saúde mental.

Vamos, a seguir, explorar alguns mitos e verdades tão difundidos sobre o suicídio, colocando-os à prova.


Mitos e Verdades sobre o suicídio

Suicídio é decisão individual, pois todos têm direito a exercitar o livre-arbítrio.

Mito. Suicidas estão passando, quase que invariavelmente, por uma doença mental que altera de forma radical sua percepção da realidade e, como consequência, interfere no livre-arbítrio. Pesquisas mostram que, em média, apenas 3,2% dos casos não é identificada alguma doença mental. O tratamento eficaz da doença é o pilar mais importante da prevenção. Após os cuidados, o desejo de se matar desaparece em praticamente todos os casos.

Na média, 17% das pessoas pensam em se suicidar em pelo menos uma ocasião na vida. Dessas, cinco planejam o ato no mínimo uma vez, três tentam e uma chega ao pronto-socorro.

Verdade. Por isso, é necessário que os pensamentos, os planos e as tentativas cheguem, no maior volume possível, ao conhecimento de médicos e especialistas.”

Uma pessoa que pensa em suicidar-se viverá, necessariamente e para sempre, o risco de tirar a própria vida.

Mito. Na quase totalidade dos casos, o risco de suicídio desaparece quando tratado com eficácia.

Quem fala em se matar não se mata; quer apenas chamar atenção.

Mito. Este é um mito que produz muito prejuízo. A maioria fala ou dá algum sinal sobre sua ideia. Boa parte deles expressa esses pensamentos, inclusive para os profissionais de saúde. Vários fatores impedem, muitas vezes, que esses sinais sejam bem dimensionados.

Se uma pessoa que deixou transparecer ou mesmo assumiu vontade de suicidar-se passa a se sentir melhor, isso significa que a ideia foi abandonada.

Mito. A tranquilidade aparente pode significar, por exemplo, um sentimento de alívio por ter chegado à conclusão de que se matar é a melhor opção. Neste estágio, a única coisa que garante o abandono da ideia é o tratamento psicológico.

Quem sobrevive a uma tentativa de suicídio está livre do problema.

Mito. Os períodos de recuperação da crise, em casa ou no hospital, estão entre os mais perigosos. Pacientes que tentaram uma vez têm de cinco a seis vezes mais chances de buscar o suicídio em outra ocasião. Metade dos que se suicidaram no mundo haviam tentado ao menos uma vez antes, de acordo com as estatísticas.

Tentativas prévias de suicídio e doenças psiquiátricas, psicológicas e mentais são os dois fatores de risco principais.

Verdade. Ao menos entre os mais comuns e aparentes. Quase todo suicida tinha uma doença psiquiátrica sem diagnóstico, cuidado adequado ou mesmo qualquer tratamento.

Fonte: Cartilha Suicídio – Informando para Viver, da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP)


Sinais que requerem atenção

Na maioria dos casos de suicídio, o indivíduo apresenta sinais que indicam que ele possui ideações ou intenções suicidas. Esses são os chamados comportamentos suicidas, e quando identificados, requerem atenção. Veja alguns deles:

  • Falar ou escrever sobre morte ou suicídio;
  • Isolamento Social;
  • Sentimento de desespero, desamparo, fúria;
  • Grandes Mudanças de Humor;
  • Abuso de drogas ou álcool;
  • Agir impulsivamente ou de forma imprudente;
  • Perda de interesse na maioria das atividades;
  • Mudanças nos hábitos de comer e dormir;
  • Queda de desempenho no trabalho ou na escola;
  • Culpa excessiva ou vergonha;

Como apoiar quem sofre ou como buscar ajuda?

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Como a campanha diz: “Conversar é a melhor solução”. Sim, a forma ideal de apoiar é conversar com a pessoa e não deixá-la sozinha. Ao conversar, procure não falar muito e ouvir mais, já que muitas vezes, a pessoa precisa apenas de alguém que a ouça. Já se você é a pessoa que sofre, tudo bem pedir ajuda a alguém de sua confiança, tudo bem buscar apoio emocional. Buscar orientação de um profissional de saúde especializado, no caso um psiquiatra e um psicólogo, também é essencial. Se você é quem apoia, se possível, acompanhe essa pessoa à consulta. Isso fará diferença!

Outra medida é retirar acesso de ferramentas potencialmente destrutivas dentro de casa – como armas em potencial, remédios e substâncias tóxicas – para evitar o uso delas em um momento de impulso.

Há também o Centro de Valorização da Vida (CVV),  uma Organização não Governamental que busca valorizar a vida e prevenir o suicídio através de apoio emocional, atendendo de maneira voluntária e gratuita qualquer pessoa que precise conversar sobre como se sente com total sigilo. Ligue 188!

Pode parecer difícil, mas nós também estamos aqui para te ajudar!

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