Depressão: os sintomas que variam de pessoa para pessoa

A depressão é um transtorno mental que não escolhe classe social, sexo ou idade, pode surgir em qualquer pessoa, nas mais diversas situações.

Isto porque todo ser humano possui sentimentos e emoções, que são respostas químicas geradas no cérebro pelas nossas experiências e, muitas vezes, a carga pode ser grande demais para determinada pessoa suportar. Então, começa a vir o sofrimento por não saber lidar com o que está acontecendo.

Mesmo podendo atingir qualquer pessoa, a depressão se manifesta de diferentes formas em distintas faixas etárias e situações, o que pode tornar a sua percepção por pessoas próximas e familiares e futuro diagnóstico ainda mais difíceis. 

Por isso, trouxe nesse texto como a depressão atinge diferentes faixas etárias, como a infância, adolescência, fase adulta e idosa e, também, como ela ocorre em situações de gravidez ou no trabalho.

Antes de ir em cada um desses pontos, vamos explicar melhor o que é a depressão e quais seus sintomas gerais, que geralmente ocorrem na fase adulta, certo?

O que é a depressão?

Afetando cerca de 10% da população mundial em um número cada vez mais crescente, e impulsionado pelas consequências da pandemia das mais variadas formas, a depressão é uma doença que pode surgir silenciosa e ser subestimada

A tristeza de dias vira de semanas, que vira em muitos casos angústia ou apatia, fazendo com que algumas pessoas percam a vontade de viver e o ânimo para realizar atividades simples, como dormir adequadamente, escovar os dentes ou em casos mais graves realizar a higiene pessoal.

A depressão é um transtorno mental que pode ser classificado em níveis, indo da leve à severa ou refratária, quando o tratamento fica ainda mais difícil. Daí a importância da percepção e do tratamento precoce.

De modo geral, a depressão pode ser caracterizada como uma tristeza intensa e persistente por, no mínimo, 3 semanas afetando a vida social e profissional do indivíduo, que pode evoluir, resultar em outras doenças, as psicossomáticas, ou até mesmo levar à morte.

Quais os sintomas gerais de uma depressão?

Agora, vou discorrer sobre os sintomas gerais de uma depressão, que podem atingir qualquer pessoa e que, geralmente, manifestam-se dessa forma em pessoas adultas. 

É importante lembrar que em cada faixa etária e situação de vida, a depressão pode afetar diretamente a percepção desses sintomas, por isso, é importante conhecê-los e ficar atento ao comportamento.

Veja os principais sintomas da depressão:

  • Sensação de falta de energia
  • Problemas de concentração e de memória
  • Perda de interesse por atividades que antes davam prazer
  • Tristeza frequente
  • Baixa autoestima
  • Apatia
  • Angústia
  • Sentimento de culpa
  • Irritabilidade
  • Ansiedade ou agitação
  • Perda da libido
  • Alterações no sono (insônia ou sonolência excessiva)
  • Alterações no apetite para mais ou para menos 
  • Pensamentos de morte ou suicídio

Considera-se depressão quando uma pessoa apresenta 5 ou mais desses sintomas, sendo que um deles deve ser tristeza ou perda de interesse em atividades, por mais de 3 semanas.

Agora, será apresentado, com mais detalhes, como a depressão se apresenta em cada faixa etária e momento de vida.

Os sintomas da depressão nas crianças

Nas crianças, a depressão pode surgir discreta, de forma a fazer o adulto acreditar que determinados comportamentos fazem parte da personalidade da criança, seja por timidez ou agressividade.

Geralmente, crianças com depressão podem apresentar perdas no rendimento escolar, o que pode ser gerado pelos problemas de memória e aprendizagem causados pela doença tanto pelo comportamento de ansiedade e agitação. Também podem manifestar recusa de ir à escola.

Queixas de dores de estômago ou dor de cabeça, de forma psicossomática, podem surgir, fazendo com que os pais procurem médicos para tratar apenas desses sintomas, quando o problema pode ser a depressão.

Veja também:
O que são doenças psicossomáticas e como se desenvolvem?

Crianças que ficam caladas demais ou em momentos oportunos (mutismo seletivo), bem como aquelas que demonstram um comportamento que desafiam autoridade ou esbanjam irritabilidade, também podem estar sofrendo de depressão.

Portanto, prestar atenção ao comportamento da criança e relacioná-la aos sintomas da depressão é um passo importante para o diagnóstico e tratamento o mais cedo possível, reduzindo os prejuízos à infância e desenvolvimento.

Os sintomas da depressão em adolescentes

Já identificar os sintomas da depressão em um adolescente pode ser mais complicado do que em uma criança e ainda mais difícil do que em um adulto.

Isso ocorre porque a adolescência é vista como a idade da rabugice, da rebeldia e da raiva. Então, os pais ou adultos em volta costumam deixar de considerar determinados comportamentos, atitudes e falas do adolescente que poderiam ser um comportamento depressivo.

A depressão na adolescência geralmente manifesta-se por um desejo de isolamento. A irritabilidade por não se entender ou encaixar nos lugares que gostaria podem aflorar ainda mais, causando angústia. 

Tal como a depressão na infância, os adolescentes podem reclamar de sintomas psicossomáticos, como dores de estômago e de cabeça. O adolescente também pode adotar um comportamento opositor, o que o pode levar a situações de perigo, simplesmente por querer desafiar-se ou ‘chamar atenção’, não para si, mas por enxergar naquelas atitudes uma forma de enunciar suas angústias.

Os hormônios, juntamente com a pressão dos amigos e círculos sociais, têm forte participação no surgimento da depressão na adolescência, bem como o sentimento e desejo de desvinculação dos pais; dificuldades escolares; sentimento de deslocamento e a dificuldade de entender as próprias emoções.

É importante lembrar que abusos de ordem moral ou sexual, praticados por amigos próximos, familiares ou figuras de autoridade como professores podem surgir e ajudar a desencadear uma depressão no adolescente. O mesmo serve para crianças.

Os sintomas da depressão nos idosos

Chegar à terceira idade pode ser um grande desafio para o emocional tanto de pessoas que já sofreram com depressão quanto para aquelas que, de alguma forma, ainda estão se acostumando com o avanço da idade.

Um dos principais motivadores para a depressão em idosos é a visão da perda do seu papel social, sentindo-se menos útil à sociedade e seus meios de convívio, não enxergando mais sentido na sua existência. 

A limitação corporal natural da idade também pode ser um fator para o desenvolvimento da depressão, bem como doenças de ordem neurológica, como Alzheimer e Parkinson.

Diferentemente dos adultos, crianças e adolescentes, os idosos vão manifestar sua depressão de uma forma bem particular. Veja alguns pontos de atenção:

  • Vontade de se isolar
  • Irritabilidade ou ser visto como ‘rabugento’
  • Dificuldade para se alimentar da forma correta
  • Problemas para dormir (insônia ou sonolência em excesso)
  • Queixa frequente de dores físicas (psicossomáticas)
  • Problemas de memória frequentes

Muitas vezes, a observação atenta às queixas aparentemente ‘normais da idade’ são muito importantes para identificar o surgimento de uma depressão. Cuidado com achar que o idoso está reclamando para chamar atenção. Esteja atento e procure fazer uma escuta presente e carinhosa, para conseguir ajudar da melhor forma e sugerir ajuda profissional.

Veja também:
Como identificar depressão em idosos?

Os sintomas da depressão na gravidez

Uma chuva de hormônios inundam o corpo da mulher durante a gravidez, influenciando diretamente no seu humor e sensibilidade. Isso pode fazer com que a mulher fique mais instável e suscetível a fatores externos, modificando sua percepção do mundo e de acontecimentos. 

Além das influências hormonais, a gravidez provoca uma mudança muito grande na vida da mulher, que nunca mais será a mesma. Os planos mudam e ela automaticamente começa a ser cobrada pela sua função de mãe. A situação pode ficar ainda mais complicada a mulheres desamparadas pelo parceiro ou família.

Confira como se manifestam os sintomas da depressão na gravidez:

  • Tristeza: persistente e presente na maioria dos dias
  • Ansiedade: inquietude, agitação e looping de pensamentos paralisantes
  • Concentração: problemas para manter o foco e distração constante
  • Sono: insônia ou sonolência persistente
  • Apetite: come demais ou come de menos
  • Apatia: perda de prazer por atividades que antes gostava
  • Libido: perda do desejo sexual
  • Energia: redução da vitalidade
  • Sentimentos negativos: culpa e pânico
  • Ideação suicida: pensamentos em tirar a própria vida

Alguns desses sintomas podem surgir normalmente devido à própria desestabilização emocional. Entretanto, quando alguns deles duram mais de três semanas, a ajuda profissional de um psiquiatra e psicólogo é necessária. 

É importante lembrar que a depressão na gravidez pode prejudicar seriamente a saúde da mamãe e do bebê. Portanto, tratá-la de forma adequada e com acompanhamento para reduzir os riscos é a melhor atitude.

Veja também:
Depressão na gravidez: como identificar os sintomas?

Os sintomas da depressão após o parto?

Ao dar a luz, a sensibilidade e a sensação de vulnerabilidade aumentam, e a mulher deve se adaptar à nova rotina de cuidar do bebê. Entretanto, quando as dificuldades perduram e geram muito sofrimento emocional, pode ser sinal de depressão pós-parto.

O número de mulheres que sofrem com a depressão pós-parto é alto: um em cada sete, portanto, é bem comum. 

A depressão pós-parto é caracterizada por um estado de tristeza profunda, ligada a pensamentos e emoções negativas durante semanas inteiras após o nascimento do bebê, fazendo com que o humor da mulher fique bastante afetado, deixando-a angustiada, triste e irritada. 

Ela também sente-se incapaz de cuidar do seu próprio filho, o que a leva ter crises de ansiedade, de choro, criando dificuldades em estabelecer vínculo com o bebê, devido à vontade de afastamento que ocorre.

Veja os sintomas da depressão pós-parto:

  • Tristeza profunda
  • Crises de choro intensas
  • Alterações frequentes de humor
  • Perda ou excesso de apetite
  • Problemas para dormir (insônia ou dormir demais)
  • Sensação de cansaço extremo
  • Irritabilidade ou crises de raiva
  • Sentimento de culpa
  • Visão distorcida de si mesmo
  • Problemas de concentração e de memória
  • Crença de não ser uma boa mãe
  • Pensamentos negativos em relação ao bebê
  • Crises de ansiedade
  • Ataques de pânico
  • Ideação suicida

Quando de 3 a 5 desses sintomas perduram por mais de 3 semanas, a busca por um psiquiatra é fundamental para que não haja maior sofrimento para mulher e problemas na relação dela com o bebê, o que pode deixar marcas em ambos por anos e anos, noutras fases da vida.

Veja também:
Vamos conversar sobre depressão pós-parto?

Os sintomas da depressão no trabalho

A depressão está entre as 5 maiores causas de afastamento do trabalho, mas como vimos até aqui, ela pode surgir por vários motivos. 

Justamente por isso e pela cultura da sociedade em relação ao trabalho, as pessoas tendem a desconsiderar que as atividades laborais em si podem causar sofrimento a ponto de causar uma depressão.

Ambientes de trabalho com muita competitividade, líderes autoritários e colegas desrespeitosos ou grande volume de tarefas podem ser fatores determinantes para o surgimento da depressão no trabalho.

As relações de trabalho, assim como as familiares e amorosas, também podem afetar bastante a saúde mental. Saber os limites entre o razoável e o que é abusivo é importante para impor limites e não sucumbir. 

A depressão no trabalho desenrola alguns sintomas característicos:

  • Procrastinação
  • Falta de motivação
  • Dificuldade de concentração e de memória
  • Problemas na produtividade
  • Sensação de incapacidade
  • Problemas de autoestima
  • Irritabilidade ou agressividade
  • Crises de choro
  • Fadiga 
  • Dificuldade nas relações com os colegas de trabalho
  • Alterações de sono (dormindo pouco ou demais)
  • Alterações no apetite (para mais ou para menos)
  • Dificuldade em tomar decisões

Para o correto diagnóstico da depressão no trabalho, é necessário uma análise atenta às áreas da vida da pessoa, para saber qual a real causa Assim, entende-se se a depressão é causada pelo trabalho ou pelas outras áreas da vida e refletem no trabalho.

Outro transtorno mental relacionado ao trabalho é a Síndrome de Burnout, que é um esgotamento mental pelas atividades laborais ou de estudos, que prejudicam severamente o desenvolvimento e a vida do indivíduo.

Por isso, preste atenção em seu ambiente de trabalho e questione se você realmente se sente satisfeito e motivado na posição em que ocupa. É importante avaliar se a sua relação com a empresa, liderança e colegas é saudável ou se isso lhe traz prejuízos à saúde mental. Da mesma forma, observe onde você projeta o seu futuro, para lembrar se você está realmente no caminho certo ou desalinhado consigo mesmo.

Veja também:
Depressão no trabalho: o que fazer e quando procurar ajuda

Conheça o tratamento para a síndrome de burnout

Em qualquer idade ou fase, os sintomas da depressão precisa de atenção

A depressão atinge muitas pessoas, mas se manifesta de diferentes formas de acordo com a idade ou fase da vida, como já falamos antes. Por isso, conhecer os seus sintomas e relacioná-los com a fase da vida que você ou quem você gosta está, é um bom exercício para perceber se determinadas atitudes ou comportamentos podem ser uma depressão.

Fique atento, observe-se, respeite-se e busque ou indique ajuda profissional de um psicólogo ou psiquiatra quando precisar.

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