Depressão sertaneja: sofrer por amor é normal?

Algumas músicas sertanejas trazem histórias de amor mal resolvidas e ‘sofrências’. Até que ponto ficar mal por um amor é saudável?

As músicas sertanejas estão entre os hits no Brasil desde os anos 90. De lá para cá, passaram por diversas transformações adaptando-se à atualidade e trazendo novas vertentes de melodia e letra.

Hoje, existem muitas músicas que falam de ‘sofrência’, que seria o sofrer perdidamente por amor, reviver as memórias de uma traição ou chorar pelo abandono da pessoa amada.

É natural que, ao se ter problemas em um relacionamento ou até mesmo experimentar seu fim, haja um abalo emocional que pode levar um tempo para ser curado. Mas até que ponto essa ‘sofrência’ é normal e quando ela pode virar uma ‘depressão sertaneja’?

É isso que vamos discutir.

Do ápice à dor: gostar de alguém pode ser inexplicável

Não existe uma matemática que explique por que gostamos de alguém. Além dos hormônios liberados em nosso corpo para compor o jogo da sedução, nos interessamos por determinada pessoa por uma série de fatores emocionais, que vão desde as nossas vivências e padrões de comportamento àquilo que queremos satisfazer internamente.

Por isso, às vezes não entendemos o porquê do interesse ou paixão por aquela pessoa, que nos leva a querer viver uma história com ela. No ápice do amor, nosso corpo está inundado de hormônios como dopamina, ocitocina e serotonina, causando uma sensação de bem-estar. Quando há uma ruptura ou uma decepção, é como se houvesse uma brusca queda, causando sofrimento intenso para algumas pessoas.

Quando a saúde emocional da pessoa está fragilizada ou ela possui dificuldades de dialogar consigo mesma a fim de identificar quais os motivos das suas atitudes, medos e inseguranças, pode ser que ela venha a sofrer demais por aquela relação.

Neste cenário, algumas músicas sertanejas servem como um consolo, ao descrever parte daquele sentimento, causando uma sensação de alívio em quem vive história semelhante à letra. Mas é preciso saber até que ponto esse sofrimento é normal e quando ele passa a ser um problema como uma verdadeira ‘depressão sertaneja’.

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A dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional

Você já deve ter ouvido falar nessa expressão. Ela quer dizer que sempre que sofrermos um abalo emocional, sentiremos aquela dor, que pode vir em forma de tristeza ou raiva, por exemplo, e durar alguns dias ou até mesmo semanas; é um processo natural de sentimento e ressignificação da emoção.

Entretanto, sofrer é transformar essa dor no objeto do seu sentimento, valorando-a como substituição àquele sentimento que parece não mais existir. É então que vive o problema.

Chorar as dores de um amor é normal. Todas as pessoas com condições emocionais normais sofrerão após uma decepção amorosa ou um término. Mas apegar-se ao sentimento daquela perda pode trazer prejuízos à saúde emocional.

Apesar de as músicas serem importantes no processo de cura, é preciso estar atento ao seu estado emocional para não se deixar levar por padrões nocivos à sua saúde mental, normalizando o sofrimento a longo prazo e a ideia de que amores sempre nos farão sofrer.

Grande parte das letras dessas músicas que retratam uma ‘depressão sertaneja’, exibem retratos de histórias de comportamento emocional nocivo, de se humilhar por outras pessoas, trair por vingança ou acreditar que a passionalidade é aceitável. Além disso, a presença do álcool como coadjuvante do auxílio ao sofrimento também é perigosa, uma vez que essa substância em demasia e com alta frequência pode prejudicar severamente a saúde emocional e física de qualquer pessoa.

O que fazer para mudar essa situação?

É preciso estar atento aos padrões de comportamento que parecem aceitáveis na sociedade, mas que são nocivos à saúde mental. Não é por padrão o sofrimento por amor, muito menos aguentar abusos da pessoa que se gosta ou agir no revanchismo em um relacionamento. É possível ter relações amorosas saudáveis, respeitosas, francas e honestas. Para isso, é preciso trabalhar para conhecer os seus padrões emocionais, buscar a fundo os motivos pelos quais você age de determinada forma em um relacionamento que pode te fazer sofrer, bem como o que você busca em um parceiro ou parceira inconscientemente.

Para isso, a ajuda de um profissional no papel de um psicólogo é fundamental. Esse profissional vai ajudar você a entender esses padrões e a não cair em suas próprias armadilhas emocionais, auxiliando você a descobrir o caminho do autocuidado e do amor-próprio.

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Isso quer dizer que não devo ouvir música sertaneja? De maneira alguma! Os gostos e preferências musicais dizem respeito a cada um. O objetivo aqui é apenas levantar atenção ao que, muitas vezes, se normaliza nas relações e padrões de comportamento e que pode ser prejudicial à saúde. Não tem problema nenhum ouvir essas músicas, cantá-las calorosamente e sair com os amigos após uma decepção, o importante é fazer tudo isso de forma consciente.

Está difícil superar um amor? Procure ajuda!

Um profissional de saúde mental está preparado para apoiar você em todos os momentos. Se você está se sentindo insatisfeito no seu relacionamento ou está achando difícil demais superar um término, busque ajuda. É preciso se curar, se conhecer e se amar para poder amar o outro.

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