Pandemia e libido: o que uma tem a ver com a outra?

A pandemia pode ter mexido com a sua libido. Entenda como funciona esse mecanismo no cérebro e o que fazer para se sentir melhor.

A pandemia atingiu em cheio todas as pessoas. E todo mundo, sem exceção, está cansado dessa sensação de insegurança, incerteza e instabilidade, sem saber como será o dia seguinte e, se mais uma vez, os planos se frustrarão.

O resultado disso é um efeito psicológico muito forte para grande parte da população. Estamos nos sentindo mais desmotivados, desesperançosos e com menos capacidade de sentir prazer – inclusive o sexual.

Além disso, estamos em situações de muita tensão, o que eleva os níveis de estresse e prejudica a nossa saúde emocional através do gatilho de funções neuroquímicas e fisiológicas.

Mas por que isso acontece se o que nos dá prazer deveria ser mais estimulado pelo nosso corpo? 

A resposta está no cérebro

O cérebro humano é um laboratório químico. Ali, centenas de substâncias agem para regular nossas necessidades básicas. Sentir sono, fome e desejo sexual estão dentro dessas funções controladas pelo cérebro. E, provavelmente como acontece com a libido, muitas pessoas também sentiram-se com dificuldade para controlar a alimentação e regular o sono.

Isso acontece, porque a pandemia nos deixou em estado de alerta, estresse e tensão, fazendo com que determinados neurotransmissores e hormônios fossem mais produzidas do que outros. Ou seja, os estímulos externos influenciam diretamente na produção dessas substâncias. Por isso, quando ficamos tensos ou estressados, diminuem os níveis de serotonina e dopamina, por exemplo, e aumenta-se o cortisol – hormônio do estresse. Esta é uma resposta do corpo à realidade.

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A relação entre a dopamina e a libido

Você com certeza já ouviu falar da dopamina. Esse neurotransmissor está ligado diretamente à sensação de disposição, prazer e recompensa. Quando fazemos algo que nos dá satisfação, ocorre a liberação de dopamina no cérebro, estimulada por um aminoácido chamado tirosina.

Ou seja, quando este neurotransmissor está em baixa, é comum que se tenha falta de motivação, de prazer, indisposição e diminuição da libido. Isto é, a dopamina está diretamente ligada à libido, sendo que quando está em baixa, é provável que o desejo sexual diminua, reduzindo também a vontade de se ter relações sexuais. Inclusive, a dopamina em baixa também pode trazer dificuldades de ereção ou retardo ejaculatório para os homens.

Em resumo, os estímulos externos influenciam nas respostas cerebrais (químicas e biológicas), fazendo com que reajamos, no caso da pandemia, com apatia, desesperança, desprazer e diminuição da libido. Inclusive, um termo em inglês foi cunhado para descrever essa sensação de vazio, o ‘languishing’, que foi traduzido como ‘definhamento’, pois estamos fortemente abalados por toda essa situação e muitas coisas parecem não mais fazer sentido.

É possível aumentar a libido e o prazer nessa situação?

Sim, mas a forma pode variar de pessoa para pessoa. Como dito anteriormente, essas respostas neuroquímicas são reações aos estímulos externos, semelhante a um ‘causa e efeito’. 

Portanto, reinventar-se e procurar novas formas de estímulo e prazer saudáveis pode ser muito importante para propiciar o aumento da libido e também do prazer em relação a outros estímulos. Para isso, converse com seu parceiro ou parceira em busca do que pode ser feito para aumentar o desejo e o prazer sexual.

Incluir hábitos na rotina que propiciem o aumento de dopamina no cérebro também é importante. Fazer caminhadas ao ar livre, ter uma alimentação equilibrada e rica em tirosina (através de ovos, peixes e oleaginosas, por exemplo), expôr-se ao sol, ouvir músicas e meditar são alguns desses hábitos.

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Também considere ajuda profissional

Vale ressaltar, também, que em alguns casos a ajuda de um psiquiatra pode ser fundamental, pois a intervenção medicamentosa para aumentar a disponibilidade de dopamina no cérebro pode ser necessária. Portanto, ao encontrar dificuldades para sentir prazer, dormir bem, ter disposição para atividades do dia a dia ou achar que o mundo perdeu o sentido, procure ajuda profissional.

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