Desde a pandemia, venho notando uma preocupação crescente com a saúde mental. Durante a crise da Covid-19, fomos testados emocionalmente em muitos sentidos: perdas, excesso de trabalho, medo, angústia, adoecimentos, incertezas. Passamos por tudo isso, e aqui estamos, olhando para o mundo de outra forma.
Entrei em contato com a saúde mental corporativa em 2020, no auge da pandemia, quando eu e outros colegas de uma grande operadora de saúde fomos convidados a oferecer atendimentos não só aos pacientes, mas também à linha de frente, aqueles que cuidavam de quem precisava ser cuidado. O desafio foi grande. Mas, em meio a acertos, erros, estudos e muito apoio, conseguimos. Esse legado de cuidado com o colaborador cresceu, atravessou muros, dos mais baixos aos mais altos, e vem ganhando espaço dia após dia.
A saúde mental é parte do capital humano. Precisa ser desenvolvida, cuidada, preservada. E muitas vezes, é necessário ensinar as pessoas a se cuidarem. O trabalho é o lugar onde passamos grande parte dos nossos dias, e da nossa vida. É onde, por vezes, reverberam questões pessoais, internas e familiares. Essas experiências, somadas à dinâmica e à pressão do dia a dia, podem se intensificar. Cada área tem seu próprio clima e grau de exigência, mas tudo pode ser amenizado, ou ao menos ressignificado, com ações de cuidado em saúde mental. É preciso ajudar as pessoas a não maximizar o que não precisa ser maximizado, e a valorizar o que é saudável e essencial.
Investir em saúde mental deixou, há algum tempo, de ser um benefício apenas para o colaborador. Tornou-se investimento, e até estratégia de negócio, para empresas inteligentes, interessadas não apenas em produtividade a qualquer custo, mas em produtividade constante e sustentável. Tudo o que é exposto a uma pressão intensa e prolongada se desgasta. Casos de burnout, ansiedade, depressão e afastamentos por questões emocionais são cada vez mais comuns.

O mundo corporativo exige entrega, comprometimento e resultados. Mas, para haver constância, é necessário equilíbrio. É preciso investir no capital humano, combatendo o presenteísmo e o absenteísmo, e promovendo equipes com saúde mental mais estável e presença real.
Claro, nem todos os problemas vêm do trabalho. Mas ele se soma a uma vida que, por si só, já pode estar sobrecarregada por questões pessoais, sociais e emocionais.
Se precisamos da força de trabalho das pessoas, da constância e do comprometimento, então precisamos também oferecer ferramentas para que aprendam a se cuidar, e se tornem autoras de suas próprias histórias. Protagonistas da vida. Com coragem, com suporte, com saúde mental em equilíbrio.
Esse é o compromisso do novo serviço de Psicologia do IPP: apoiar empresas e pessoas, fazendo diferença positiva na vida de cada um, promovendo saúde emocional, desenvolvimento humano e relações mais saudáveis com a vida e com o trabalho.
Camila Spinelli
Gerente do Serviço de Psicologia IPP
