Vamos conversar sobre depressão pós-parto?

Muitas mulheres sonham com a maternidade, mas poucas imaginam ou já conversaram sobre os dias de extrema oscilação emocional e tristeza que podem surgir após a experiência do parto. Para aquelas que não desejavam a maternidade, esses dias podem ser ainda mais perturbadores. Essa é a realidade de 50% das mulheres brasileiras que deram à luz e, em cerca de 15% dessas, o quadro progride para uma situação mais grave chamada de depressão pós-parto.

Essa doença coloca a mãe e o bebê em risco, além de comprometer o vínculo mãe-bebê e o desenvolvimento físico e psicológico dessa criança. A boa notícia é que existe tratamento para essa doença que não deve ser motivo de vergonha.  Entenda tudo sobre, aqui.

O que é Depressão Pós-Parto

A depressão pós-parto constitui um dos transtornos chamados – no âmbito da saúde – de “transtornos afetivos pós-parto”. Sua prevalência varia conforme o grau de desenvolvimento do país, mas a Organização Mundial de Saúde sugere que essa condição acomete até 25% das mulheres em países em desenvolvimento como no Brasil. Ou seja, em média, uma a cada 4 mães brasileiras podem sofrer de depressão pós-parto. 

A sua forma de apresentação é muito similar à depressão clássica, mas os sintomas costumam surgir durante a gravidez ou até 1 anos após o parto. O período mais crítico são as primeiras 4 a 6 semanas de pós-parto.

Sintomas da depressão pós-parto

Os sintomas depressivos incluem:

  • Humor deprimido;
  • Humor ansioso ou irritável;
  • Perda de interesse e prazer (anedonia);
  • Sentimento de culpa excessiva;
  • Dificuldade de concentração;
  • Perda de energia;
  • Perda de confiança ou autoestima;
  • Ideação suicida.

Diagnósticos diferenciais

 Os demais transtornos afetivos do pós-parto incluem:

Disforia pós-parto ou maternity blues

Nesse caso, a mãe apresenta sintomas depressivos leves, que surgem cerca de 3 a 4 dias após o parto e podem permanecer por horas a dias. Se trata de uma condição autolimitada, ou seja,  dura até apresentar remissão espontânea e não exige tratamento medicamentoso. O maternity blues costuma acometer até 80% das mulheres e prevê-se que, dessas, cerca de 20% desenvolverão depressão pós-parto.

Psicose puerperal

Trata-se do quadro mais grave, e, felizmente, mais raro. Acomete cerca de 0,1 a 0,2% das mulheres no período pós-parto e os sintomas incluem delírio, alucinações e comportamento desorganizado. Acontece geralmente nas primeiras quatro semanas após o parto e constitui uma emergência médica.

Importância de se discutir esse tema

Apesar de se falar pouco sobre a depressão pós-parto, se trata de um tema de grande importância para o Brasil e o mundo. A depressão, conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS),  afeta 5,8% da população brasileira e esses percentuais vêm subindo desde 2005. Mundialmente, as mulheres são mais afetadas, numa razão quase de 2:1. 

Além disso, o período de gravidez e pós-parto é o período em que as mulheres mais são acometidas por transtornos mentais, principalmente no primeiro e terceiro trimestre gestacional e nas primeiras quatro semanas de pós-parto. O problema maior é que o dano à saúde mental materna leva a prejuízos no vínculo que ela estabelece com o bebê, o que se reflete de forma prejudicial no crescimento e desenvolvimento dessa criança, estando inclusive relacionado à desnutrição infantil e baixo desenvolvimento cognitivo.

Fatores de risco para o desenvolvimento da depressão pós-parto

Os fatores de risco, ou seja, as circunstâncias que aumentam os riscos de uma mulher vir a desenvolver depressão pós-parto podem variar conforme o local e a cultura da população estudada. Porém, alguns estudos encontraram relação do diagnóstico às seguintes condições:

  • História prévia de depressão e/ou ansiedade;
  • Baixo nível socioeconômico;
  • História prévia de abuso físico ou psicológico;
  • Violência doméstica;
  • Relação conjugal problemática;
  • Ausência de rede de apoio;
  • Eventos de vida estressores antes, durante ou depois do parto;
  • Idade materna abaixo de 18 anos;
  • Via de parto cesariana.

Combatendo o tabu

Não é novidade que transtornos de saúde mental ainda é um tema recheado de tabus e difícil de se falar sobre. No caso da depressão pós-parto, o estigma intensifica-se, pois as mulheres se sentem culpadas em manifestar sintomas depressivos em um momento no qual acreditam que, conforme as expectativas sociais, deveria ser de alegria.

No entanto, diversas são as evidências de que a depressão pós-parto não diagnosticada e não tratada pode trazer diversos prejuízos para a mãe e para o bebê. O infanticídio e o suicídio estão entre as complicações mais graves, além dos prejuízos ao desenvolvimento da criança, já descritas acima. Por isso, está mais do que na hora de começarmos a falar sobre isso e acolhermos as mães nesse período difícil que é o pós parto. 

Você está enfrentando esse momento e se sente muito triste? Ou conhece alguém que se sente assim? Não deixe essa tristeza se transformar em um problema maior na sua vida ou na do seu bebê. Não hesite em buscar ajuda profissional.  

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